de escárnio e maldizer

Julho 27, 2006 at 10:44 pm 7 comentários

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Sei-te de Cor  

Sei de cor  –  cada traço  –  do teu rosto  –  do teu olhar.  –  Cada Sombra da tua voz.  –  E cada silêncio  –  cada gesto que tu fazes  –  Meu amor sei-te de cor  –  Sei  –  Cada capricho teu  –  E o que não dizes  –  Ou preferes calar.  –  Deixa-me adivinhar  –  não digas que o louco sou eu  –  se for tanto melhor  –  Amor sei-te de cor  –  Sei  –  Por que becos te escondes. –  Sei ao pormenor  –  o teu melhor e o pior.  –  Sei de ti mais do que queria  –  Numa palavra diria  –  Sei-te de cor

 Tive mesmo de ouvir a música, colocada por aceso entusiasmo e a querer-me convencer da musicalidade… Credo! Como é possível…. saber Outro de cor, se muitas vezes nem a si mesmo? E assumindo que é realmente presunção, é ainda um atentado à possibilidade do outro modificar-se, transformar-se…

Vamos aos «ses»: (1) se fosse literal, suponho que o amor estará a extinguir-se ou, pelo menos, o interesse. Ou o senso de descoberta em cada estar com Quem se ama. Até porque «sei mais de ti do que queria» pode ser corrosivo…  (2) se é metáfora, é das mais pobres que já li…mesmo que apenas para entreter, podia ser mais de desejo do que de acção – «queria saber-.te de cor» pelo menos, parece mais sensitivo.

Entretenimento e Música não dispensam de ser inteligente, pois não?!

Entry filed under: arte, opinião. Tags: .

# 2 Cores: verde metáfora musical

7 comentários Add your own

  • 1. E.A.  |  Julho 27, 2006 às 11:17 pm

    Ser o cantor que é, já de si não augura nada de por aí além…

    Responder
  • 2. viajante  |  Julho 27, 2006 às 11:28 pm

    Risos, EA! Que eu poupei(-me) a citar o nome.
    Mas aplaudo o augúrio…

    Responder
  • 3. the postman  |  Julho 29, 2006 às 4:08 am

    (bato palmas….)🙂
    Grande análise esta, com a qual concordo totalmente. Também sou da opinião que Entretenimento e Música não dispensam de ser inteligentes, não fosse esta uma arte.

    Bem, vou aproveitar este espaço para referir que fico embevecido cada vez que leio o que comentas nos meus comentários. Falando dos três últimos, o poema de Camões, mesmo já o tendo lido, foi relido, re-relido e cada vez mais sentido. Nunca pensei, até aqui, no oito como um infinito em pé mas com todo o sentido que isso faz, penso que não me voltarei a esquecer disso… (risos)… adorei esse ponto de vista. E, mais uma vez, fico sem palavras ao ler a tua análise ao “Senhor dos Selos”, que tinha logo que tocar num ponto fraco meu, que é a tal trilogia. Tens toda a razão, os selos são mais criados que entregues… ou pelo menos não são entregues a ninguém que não faça parte dos meus “eus”. A única coisa que me leva a não generalizar um pseudónimo de Senhor dos Selos é o facto de achar que esse nome tem algo (Senhor) de pomposo ou de um elitismo com o qual não me identifico.

    Oxalá consiga rápido regressar aos teus cantos…. de um modo optimista na próxima Segunda, de outro modo, algum tempo depois. Em qualquer dos casos, uma eternidade.

    Mas tudo bem, não generalizando, deixo aqui um beijinho deste t_e_u “Senhor dos Selos”🙂

    Responder
  • 4. viajante  |  Julho 29, 2006 às 8:52 pm

    🙂
    Obrigada pela partilha…
    E o «Senhor» não me soa pomposo ou elitista. Soa-me a propriedade («senhor de alguma coisa») ou a independência (como «senhor do seu nariz» – risos!). Percebo que o tom se lê como o «lemos» e como nos soa…

    Tenho o costume, mas é pacífico – por exemplo, chamo à Sotavento, «Senhora da Meia Praia», porque é o nome do blog e porque ele é dela🙂
    Coloco «Senhora» ou «Senhor» atrás do nome -como «Senhora da Voz em Fuga» para a Hipatia, – pelas mesma razões da pessoalidade reconhecida… e do que tem autoridade sobre (algo), ao caso, o próprio blog.
    Portanto, como vês, um costume revestido de… deferência como atenção e gentileza.

    Como aquela da promessa de regresso :))

    Como “Postman”, noutra língua tem outras ressonâncias – “stamp é selo; sinal, marca… mas também serve sapateado (sapatear). Para nós, um «selo» é estampilha, marca, vinheta, sinete…(e lá vou eu, divagando).

    Beijos, Senhor dos Selos😉

    Responder
  • 5. the postman  |  Julho 30, 2006 às 5:30 pm

    Bem sei que usas sempre o “Senhor dos Selos” com gentileza e delicadamente… tanto o sei que muito gosto de o ler nas tuas palavras😀
    Quando criei o blog, andava à procura de algo conceptual, e os selos tiveram um papel bem importante há uns anos atrás.
    Depois, aquilo pedia um nome. The Postman foi a primeira coisa que me lembrei, a primeira que fez o mínimo sentido para mim.
    Mas, acima de tudo, concordo com todas as tuas divagacoes acerca do assunto🙂

    Responder
  • 6. viajante  |  Julho 30, 2006 às 10:09 pm

    The Postman faz imenso sentido, para quem criou um espaço assim! Lembro-me de te ter perguntado como é que fazias os selos🙂 Imagem de marca…

    Divago a pretexto de quase tudo…

    beijos

    Responder
  • 7. eu  |  Junho 19, 2007 às 8:49 pm

    Prazer intenso senti quando ao navegar às cegas deparei-me com vocês.
    Concordo com a presunção, mas carrego dentro de mim o desejo de alguém ousar saber-me de cor.De cor ou by heart, implica em sintonia , em sentimento que de tão profundo, deixa livre o outro para simplesmente o ser.

    Responder

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"bastam dois espelhos opostos para construir um labirinto" afirma J.L.Borges. E cada um, em Si mesmo, é prismático o bastante para o labirinto ser da interioridade de cada um. Por isso, no Labirinto nos procuramos, e ainda que sem fios, dispondo de espelhos.

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